Adicionar aos Favoritos Mapa do site  
 
O trânsito e o exercício da cidadania
     O trânsito é um dos maiores problemas no Brasil. Quaisquer pesquisas feitas sobre o assunto apresentam resultados impressionantes, levando a manchetes do tipo "Mata mais que a guerra no Oriente Médio". Não é coisa apenas para impressionar o leitor médio: é verdade, mesmo.

     É impressionante ver como o valor da vida das pessoas - ou até mesmo de seus automóveis - desaparece no momento em que a maior parte dos motoristas entra em ação nas ruas. Passa, então, a vigorar aquele velho ditado: "farinha pouca, meu pirão primeiro". Não bastassem ruas esburacadas, com asfalto irregular ou insuficientes para o crescente número de veículos que entope as vias públicas, a imprudência vem se somar às dificuldades existentes. Isso, claro, para não falar dos que cometem verdadeiras barbaridades, ao dirigir sob efeito de bebida alcoólica e que se tornam assassinos em potencial, no seu desprezo pela vida humana.

     Diante desse quadro caótico, pouco ajudam campanhas educativas. Só mesmo punições severas, como as que amparam a Lei Seca, têm se mostrado eficientes. Afinal, ou todo dia é dia de trânsito seguro ou então nenhum será.
 
****
 
     A violência não é culpa apenas das regras e dos aparatos que existem na sociedade para inibi-la e combatê-la. É uma semente que cresce sem parar mesmo sem cuidados especiais. A ela serve apenas um terreno qualquer. Violência e segurança pública enchem de preocupação a maioria da população que acredita ser dever do Estado enfrentá-la de mangas arregaçadas. E as conversas e cobranças se multiplicam a cada novo assalto, roubo ou assassinato. Pode-se achar que o Estado é o grande culpado, entretanto não é o único e talvez nem seja o maior. A violência é um monstro que tem muitos cúmplices e parceiros. Cada um de nós, se analisar com cuidado, encontrará sua culpa nesse cartório.
     Violência é uma forma de pensar que se cultiva no quintal de casa assistindo a filmes de extrema crueldade, de heróis mortíferos que matam centenas de seres humanos cumprindo com o dever de defender a sociedade, a pátria, sua família. Às vezes para vingar ofensas ou injustiças, mas sempre empregando a violência e cometendo barbaridades. Dentro de casa, presenteiam crianças com brinquedos que reproduzem armas ou deixam esses brotos humanos assistindo por horas espetáculos entupidos de conflitos, de usurpações. É natural que as crianças se programem e se inspirem no que assistem.
     Tem pais que mentem perante os filhos e prestam seu exemplo ao usar a mentira como um meio normal de convivência social. Fumam, tomam bebidas alcoólicas e fazem bravatas na frente de suas crianças. Depois, tontos e perturbados, levantam-se para execrar a escalada da violência, a decadência das relações humanas, os assaltos nas esquinas, os estupros na porta de casa. Aos outros debitam toda a responsabilidade, e com isso os reformatórios não param de se encher de jovens e as prisões, de infelizes. Se cada um começasse a assumir suas responsabilidades e despertasse desse morno torpor, a violência deixaria de prosperar com tanta facilidade e ousadia.
 
Fonte: texto adaptado por Jackson Lima
 
Jackson Lima
08/03/2010
 
  Mapa do site Sobre Powered and Copyright © 2003-2010 Dom Joaquim Online Como anunciar Fale conosco