Boi Caracú


Festa de São Domingos/2005

       Caracú, segundo o dicionário Lello Universal, é o nome dado aos bois de pelo liso e curto, ou medula dos ossos do boi. Em Dom Joaquim, não se achou o significado de Caracú.
       O Boi Caracú guarda poucas semelhanças com o Bumba-Meu-Boi da região nordeste. O boi Caracú é pobre, com poucos recursos visuais e bem resistente. Inicialmente dançava ao som de sanfona e de caixa de guerra, e a sua finalidade é assustar as pessoas com a desenfreada carreira e possíveis tombos, do perseguidor ou do perseguido. Os perseguidos refugiavam-se na Marujada, que ocorria simultaneamente. O Bumba-Meu-Boi é totalmente bordado, cheio de cores vivas, e durante a apresentação há a encenação de sua vida, morte e ressurreição. Vários instrumentos tocam enquanto ele desenvolve sua dança, como o violão, rabeca, harmônica, sanfona, gaita gaúcha.
       O corpo do Boi Caracú é um balaio especial. Por ser grande, e para que o bambu verde não o torne muito pesado, deve ser feito muito antes de sua utilização. O bambu é colocado sob o sol no mínimo por uma semana, e o bambu verde é preferido na confecção pela sua flexibilidade.
       A cabeça é um dos detalhes mais importantes. Deve-se escolher uma cabeça ou caveira de boi em perfeito estado, com chifres não muito grandes e de envergadura voltada "para dentro" para evitar acidentes, e totalmente seca para evitar mau cheiro.
       O boi, em Dom Joaquim, é confeccionado há algum tempo pela mesma família. O pai faz a estrutura do boi, recheando a cabeça e fixando-a no balaio. A mãe costura o que será o couro do boi, que cobrirá o balaio. A filha mais nova faz as pinturas das "pintas", olhos, boca e carimbo.
       O boi é manipulado por somente uma pessoa, sendo que antigamente era puxado por seu dono. Com o tempo tornou-se bravo e foi necessário dispensar o dono. Foi proibido durante muito tempo devido à sua violência. A aparência calma do boi dançando ao som de caixa e sanfona transformava-se subtamente, passando a agredir os acompanhantes; somente o caixeiro e sanfoneiro eram respeitados (mas nem sempre). Ainda hoje o boi possui uma corda amarrada nos chifres, conservando seu formato original.

Fonte: [Documentos sedidos por Dirceu Rabelo]


Zabelê


Festa de São Domingos/2005

       A Zabelê, uma boneca inicialmente muito alta e magra, já teve seu tempo de proibição na cidade. A prefeitura decidiu pela proibição devido aos estrados à fiação elétrica das ruas por onde passava. Então, a boneca passou a ser gorda e mais baixa. Mesmo com a troca da fiação elétrica, nas ruas, por outra mais elevada pela CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais), a Zabelê continuou a ser baixa e gorda.
       Há alguns anos o tamanho e corpo originais foram restaurados, já quase esquecidos pela população donjoaquinense.

 

Marujada


Marujada de Dom Joaquim, igreja Matriz

      A marujada compôe-se de 22 homens, podendo chegar ao número de 24. Um mestre, um contra-mestre, um piloto, dois caxeiros, um sanfoneiro, dois calafates (crianças) e quatorze marujos. A média de idade dos marujeiros, é de aproximadamente 45 anos, e normalmente é dado aos mais velhos posições de destaque. Além de integrantes da própria cidade, podem ser de cidades vizinhas.
      O mestre vai à frente, comandando com um apito o início e término das músicas e coreografias. Com sua manguara, risca no chão as complicadas evoluções. O piloto vem logo atrás, pelo centro, entre as duas filas de marujeiros. O contra-mestre dispôe-se também pelo centro, mas no final das duas filas, como se protegesse a retaguarda. Um caixeiro principal, que é o repicador (por causa de seu toque repicado na caixa de guerra), dispôe-se ao lado direito do mestre. Do lado esquerdo, o sanfoneiro. Atrás do caixeiro repicador e sanfoneiro vêem os calafates, crianças de no máximo 14 anos. Outro caixeiro vem atrás do último calafate. Os marujos completam as filas.

      Os instrumentos usados são: uma sanfona, duas caixas de guerra, pandeiros, chocalhos e maracas. As caixas de guerra são o forte do ritmo, e os outros instrumentos completam o batuque. A sanfona embala a música, fazendo o solo com o mestre.
As caixas de guerra são muito antigas, passando de pai para filho. São feitas de madeira (corpo) e cobertos com couro de porco do mato e guará. Um cordão passa de ponta a ponta, traçando o diâmetro, enfeitado de pedaços de chocalhos de cascavek e penas de urubu. Os chocalhos, ou xique-xiques, são pedaços de pau contendo em seu interior objetos para produzir algum som.

      A indumentária completa de um marujeiro se compõe de: calça, camisa, saiote e capacete.
      Ao mestre, contra-mestre e aos calafates (crianças) são concedidas algumas regalias, como o uso da manguara e do quepe. A manguara é uma vara feita de madeira rara, chamada mulato ou mulatinho, sendo enfeitada de papel crepon. O quepe é uma regalia devido à facilidade de equilibrá-lo na cabeça, ao contrário do capacete. Os saiotes destes são enfeitados com estrelas, luas e bolinhas de papel aluminizado.
      A calça e camisa são brancas, sendo a única diferença na camisa do mestre, que possui duas fitas (azul de um lado e vermelha do outro) pendendo dos ombros.
      Os saiotes são nas cores azul ou vermelho vivos. Uma fila usa somente saiotes na cor azul e a outra fila da outra cor. O mestre usa um saiote vermelho e o contra-mestre, azul.
      O capacete é um cone feito de pedaços de bambu recobertos com um papelão resistente. Sobre o papelão são colocados pedaços de papel crepon e aluminisado de várias cores, ao gosto da mulher, mãe ou irmã do marujeiro. Para a fase final de acabamento, quatro espelhos esféricos são dispostos: um à frente, um atrás, e um de cada lado. Do bico do cone saem franjas de papel crepon de várias cores.
      Um componente da marujada se sobressai sobre os demais: o piloto. Sua roupa é uma farda com calça e camisa brancas, paletó militar de brim cáqui com uma fita vermelha e outra verde cruzando o peito. Seu quepe, também em estilo militar, é enfeitado e com espelho na frente. Usa uma espada feita de jacarandá, trançada por fitas vermelhas. É o único componente que não usa saiote.

      Quando a festa vai chegando ao fim, os populares saem pelas ruas da cidade junto com os marujeiros. Embora cansados, os marujeiros se reanimam e entram pelas casas cantando e exigindo que o morador os acompanhe. Este cordão engrossa até à noite, quando os marujeiros completamente cansados têm de dormir para voltar ao trabalho no dia seguinte. Param. Sob protesto popular.

      Atualmente o município possui uma versão da marujada, da região de Gororós e Cachoeira. Está na estrada há 35 anos e possui 25 integrantes, sendo destes apenas 3, os músicos, homens. Os instrumentos utilizados são pandeiros, pelas marujas, e caixa, violão e sanfona, pelos músicos.
     Tendo surgindo na época de uma coroação da mãe de uma das integrantes, já se apresentou na sede de Dom Joaquim, Gororós, Alvorada de Minas, Ribeirão de Areia. O contato para eventos pode ser feito através dos telefones (38)9669.5618 (falar com Beto do Sutério) e (38)9962.8671 (falar com Liquinha).

      Algumas músicas, embaladas pelos marujeiros, são:

Marcha Funda

      Adeus grade da cadeia
      Adeus grade da cadeia
      A sepultura de um homem vivo
      A sepultura de um homem vivo.

Sai, sai

      Sai, sai, sai,
      Sai, sai, sai.
      O sapo na lagoa
      Tá dizendo sai, sai.
      Eu não tenho medo
      da Barca afundar
      Todo medo que eu tenho
      É do navio do mar.

Entrega, entrega

      Entrega, entrega, oi
      Entrega a coroa
      Rainha nova
      Que veio de Lisboa


Fonte: [Documentos cedidos por Dirceu Rabelo]